Em rede

Boletim Inovação Aberta

Boletim mensal sobre a Inovação Aberta – Publicação digital número 7 – Outubro/2011

Acompanhe as atividades do centro e relacione-se com os demais profissionais da inovação por meio da plataforma openinnovationbrasil.ning.com

 

Uma para três

Uma pergunta sobre open innovation para três personalidades do cenário brasileiro de inovação.

A sua empresa possui atividades ligadas à promoção do empreendedorismo?

Luciana Hashiba
Gerente de Gestão & Redes de Inovação
Natura

“Sim, acreditamos e incentivamos o empreendedorismo de diversas maneiras. A própria venda direta é um exemplo. Especificamente em inovação, desde 2001 utilizamos uma estratégia de inovação aberta que baseia o desenvolvimento de novos produtos, tecnologias, processos e ferramentas em parceria com centros de pesquisa no Brasil e no exterior. Exemplo tangível é o Natura Campus, projeto que estrutura a colaboração sistemática entre a Natura e a comunidade científica. Desde 2006, a Natura colaborou com 18 instituições parceiras atingindo a marca de 32 projetos concluídos e sete em andamento voltados à pesquisa científica básica ou tecnológica. Também incentivamos o empreendedorismo social junto a nossas consultoras com os programas “Crer para Ver” e “Acolher”. Outra área em que estimulamos o empreendedorismo de nossos stakeholders é no trabalho com as comunidades fornecedoras de ativos da biodiversidade. Nosso objetivo é ser um vetor na criação de negócios sustentáveis a partir do empreendedorismo com foco na sociobiodiversidade e na valorização do conhecimento tradicional e cultura das regiões em que atuamos”.

 

Daniela Grelin
Gerente de Comunicação
Dow Brasil

“Além do fomento à inovação interna, a Dow também apoia iniciativas externas, trabalhando em parceria com universidades. A título de exemplo, a Dow realizou com a Universidade de São Paulo nos dois últimos anos o desafio Dow-USP de Inovação em Sustentabilidade, que premiou seis trabalhos de pós-graduação com  prêmios de R$ 18 mil para que os pesquisadores pudessem desenvolver seus projetos e assim colaborar com novas soluções para desafios da humanidade como energia, alimentação, infraestrutura e bens de consumo. O objetivo é que esses trabalhos científicos se transformem em produtos/aplicações presentes no dia a dia das pessoas. Outra forma de incentivar o empreendedorismo é por meio de projetos sociais inovadores. Na Vila de Matarandiba, no município de Vera Cruz, acontece o projeto Ecosmar – Economia Sustentável e Solidária em Matarandiba –, que estimula a geração de renda e trabalho por meio da criação de empreendimentos locais.  A proposta da iniciativa é capacitar famílias carentes e promover o empreendedorismo para impactar positivamente a economia local”.

 

Ayrton Aguiar
Vice-presidente de Fusões e Aquisições
Grupo Buscapé

“O Buscapé possui diversas iniciativas ligadas ao empreendedorismo como “Sua Ideia Vale 1 Milhão” e o “Café da Manhã com Empreendedores”. Nosso objetivo é fomentar o empreendedorismo de startups de base tecnológica voltadas para internet e e-commerce. No caso do “Sua Ideia Vale 1 Milhão”, trata-se de um concurso aberto nacionalmente para quaisquer empreendedores. Já no caso do “Café da Manhã com Empreendedores”, convidamos mensalmente parceiros, desenvolvedores e novos empreendedores da região de São Paulo com o objetivo de aproximar esses profissionais da empresa, além de estreitar relacionamentos. O objetivo é ouvi-los e entender de que forma o Grupo Buscapé pode apoiá-los”.

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Suíte

Acompanhando casos brasileiros de inovação aberta e a sua repercussão no mercado

Sociedade bem planejada

Startups selecionadas pelo Buscapé no desafio “Sua Ideia Vale 1 Milhão” não se surpreenderam com a escolha; sinergia entre os negócios e clareza de objetivos são uma constante entre elas.

Se uma palavra pudesse definir o modo como as empresas vencedoras do concurso Sua Ideia Vale 1 Milhão encaram a conquista, o termo seria sinergia. Repetido diversas vezes por cada um dos empreendedores, o vocábulo traduz o que pensam sobre a semelhança e complementariedade entre os próprios negócios e a atuação do Buscapé, realizador da ação.


Empreendedores comemoram a conquista do desafio “Sua Ideia Vale 1 Milhão” lançado pelo Buscapé.

Criador do serviço de busca de produtos e pesquisa de preços que recebe mais de 60 milhões de visitas diárias, o Buscapé procurou nas startups um meio de diversificar os negócios do grupo. Para isso, convocou jovens empreendedores a apresentarem ideias na área de e-commerce – mais especificamente social commerce e mobile commerce – com a proposta tentadora de sociedade e aporte inicial de R$ 300 mil. De 800 projetos inscritos, quatro foram selecionados: Anuncie Lá, Meu Carrinho, Hotmart e Urbanizo.

Para o sócio-fundador do Anuncie Lá – mercado virtual integrado com as redes sociais que permite conhecer o perfil de compradores e vendedores sem intermediação –, Renato Mangini, a sinergia com o Buscapé está no produto, e as semelhanças permitirão uma série de compartilhamentos técnicos e estratégicos. André Nazareth, um dos sócios do Meu Carrinho – aplicativo para celular que mostra ao consumidor qual supermercado oferece o melhor preço para a lista de compras – tem a mesma convicção: “desde que começamos, brincávamos que fazíamos algo que o Buscapé poderia fazer. Foi justamente quando estávamos precisando de investimento que surgiu a oportunidade de participar. A sinergia entre os negócios contou muito”.

No caso do Hotmart – plataforma para venda de conteúdo digital, como e-books – seu cofundador, João Pedro Resende, considera que a sinergia está na estratégia de trabalho. Resende acredita que os avaliadores do Buscapé encontraram no Hotmart características que buscam nos próprios negócios: “ninguém compra ideias, compra resultados; por isso o Buscapé avaliou, além de nossa proposta, a equipe e a capacidade de execução”.

Não é por ainda serem startups que os selecionados sejam iniciantes. Todos já têm planos bem estruturados para seus negócios e testaram os produtos no mercado. Desde o início do processo de seleção, sabiam que tinham boas chances com o Buscapé, devido a tal sinergia. Entraram bem preparados para a empreitada e deram passos estratégicos. Além de apresentarem ideias que complementam a área de atuação do Buscapé, os empreendedores têm em comum a clareza sobre o próprio negócio. Sabem bem quanto e como podem crescer. Por isso, afirmam que procuraram no Buscapé o papel de parceiro com capacidade de contribuir para o negócio em diversas etapas.

O Urbanizo se distingue entre os modelos de e-commerce selecionados. Trata-se de um modelo de precificação do metro quadrado urbano para facilitar a tomada de decisão de compra e venda, que atua como um avaliador, consultor e gerenciador do mercado urbano. Marcos Roberto, sócio da empresa, acredita que o Buscapé buscou no Urbanizo a oportunidade de investir em uma área que ainda não explora e cresce ininterruptamente no Brasil. Ele conta que ainda está avaliando os detalhes de uma possível sociedade, mas admite que a empresa seria uma grande parceira. “O Buscapé faz parte do grupo Naspers, que é dona de muita coisa e representa uma porta de entrada para o mundo. Sem contar a experiência do Buscapé especificamente, que é fantástica, e o potencial que tem para ajudar a escalar”, avalia.

Renato Mangini, do Anuncie Lá, encara o Buscapé não só como investidor, mas como sócio ativo. O aporte de R$ 300 mil não é o único atrativo. “Quando começamos a empresa, conseguimos um recurso da Finep pelo Prime que nos ajudou a desenvolver o produto. Agora, precisamos novamente de investimento, mas o valor financeiro é até baixo se considerarmos que já temos o produto pronto”, afirma. “O benefício de nos juntarmos ao Buscapé vai muito além. Temos tido conversas muito boas com nosso tutor lá dentro e delas surgem ideias e sugestões excelentes que abrem novas oportunidades”.

João Pedro, do Hotmart, concorda: “esse conhecimento que eles acumularam em anos de mercado nos dá uma segurança muito grande, além de termos acesso a um apoio operacional e estratégico”. Nazareth, do Meu Carrinho, diz que a primeira fase da sociedade se destacado por um intenso processo de mentoring. “Estamos nos sentindo como em uma aceleradora. Não é dinheiro que o Buscapé está investindo, mas todo seu know how, pois é interesse também deles que nosso negócio dê certo”, acredita.

O Buscapé tem consciência da relevância e do potencial de cada um desses negócios. Não foi à toa que, em vez de selecionar um sócio, como pretendiam no início do programa, escolheram quatro. “A partir do momento em que passamos a ter participação nessas empresas, precisamos apoiá-las para que cresçam, se tornem líderes em seus segmentos e se integrem na plataforma Buscapé. Criamos o programa para dar escalabilidade ao nosso negócio”, afirma o presidente Romero Rodrigues.

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Fomento

 

Analise jurídica da Instrução Normativa 1.187/2011

Interpretação da restrição do art. 5º § 3º aplicável à remuneração indireta

Ana Carolina Moreira Garcia e Marcelo Rezende
Advogados
Rolim, Viotti & Leite Campos Advogados

Passados seis anos da publicação da Lei do Bem, embora já haver regulamentação por parte do Poder Executivo desde 2006 através do Decreto nº 5.798, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa nº 1.187/11 com o intuito de disciplinar os artigos 17 a 26 da Lei 11.196/05.

Conforme já mencionado no último boletim Inovação Aberta, a IN procurou pormenorizar alguns procedimentos operacionais da execução e formalização dos projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (P,D&I), bem como a forma de captura dos incentivos.

Com relação às deduções, a Receita Federal adotou uma postura muito restritiva, extrapolando os limites legais da Lei do Bem. Isso porque no art. 17, inciso I da lei, cujo dispositivo foi reproduzido na íntegra no art. 3º do Decreto, o legislador concede a dedução sobre os dispêndios “classificáveis como despesas operacionais” conforme a legislação do Imposto de Renda, a saber:

“Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais:
I - dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ ou como pagamento na forma prevista no § 2o deste artigo; ”

Assim, o art. 47 da Lei 4.506/64 dispõe sobre o conceito de despesas operacionais e sua dedutibilidade do lucro real, in verbis:

“Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
§ 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa.
§ 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa.

Já no caso da IN nº 1.187/11, a RFB vai além e limita essa dedução aos dispêndios realizados exclusivamente com salários e encargos sociais, excluindo expressamente os gastos com remuneração indireta. Vejamos:

“Art. 5º. (...)
§ 3º Não serão considerados para fins do incentivo previsto neste capítulo:
I - os valores pagos a título de remuneração indireta;

No que se refere especificamente à remuneração indireta dos funcionários, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) é bem claro ao incluir os benefícios pagos aos empregados no rol de despesas dedutíveis. Esse é o caso, por exemplo, dos arts. 358 a 361 do RIR/99:

Art. 358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74):
I - a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação:
a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica;
b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente;
II - as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como:
a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa;
b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados;
c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros;
d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I.
§ 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no art. 622 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 1º).
§ 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, observado o disposto no art. 675 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º).
§ 3º Os dispêndios de que trata este artigo terão o seguinte tratamento tributário na pessoa jurídica:
I - quando pagos a beneficiários identificados e individualizados, poderão ser dedutíveis na apuração do lucro real;
II - quando pagos a beneficiários não identificados ou beneficiários identificados e não individualizados (art. 304), são indedutíveis na apuração do lucro real, inclusive o imposto incidente na fonte de que trata o parágrafo anterior.

Art. 359. Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, dentro do próprio exercício de sua constituição (Medida Provisória nº 1.769-55, de 1999, art. 3º, § 1º).

Art. 360. Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V).

§ 1º O disposto neste artigo alcança os serviços assistenciais que sejam prestados diretamente pela empresa, por entidades afiliadas para este fim constituídas com personalidade jurídica própria e sem fins lucrativos, ou, ainda, por terceiros especializados, como no caso da assistência médico-hospitalar.
§ 2º Os recursos despendidos pelas empresas na manutenção dos programas assistenciais somente serão considerados como despesas operacionais quando devidamente comprovados, mediante manutenção de sistema de registros contábeis específicos capazes de demonstrar os custos pertinentes a cada modalidade de assistência e quando as entidades prestadoras também mantenham sistema contábil que especifique as parcelas de receita e de custos dos serviços prestados.

Art. 361. São dedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V).
§ 1º Para determinação do lucro real, a dedução deste artigo, somada às de que trata o art. 363, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, § 2º).
§ 2º O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, § 3º).”

Com efeito, o próprio regulamento do imposto de renda permite a dedução do lucro real de diversos tipos de remuneração indireta, desde que atendidos os requisitos de necessidade e usualidade. Há ainda que se pensar que a remuneração indireta é considerada parte indissociável da remuneração do empregado. Tanto é que o beneficiário deve ser identificado e a não incorporação ao salário sujeita essa parcela à tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, conforme expresso no art. 675 do RIR. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF se pronunciou:

“(...) REMUNERAÇÃO – CONCEITO - Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, proveniente do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE - O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter eventualidade, tomando-o habitual (...)” (CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / Ac. 3ª C 2301-01.400 em 29/04/2010)

Desse modo, partindo de uma interpretação conforme a lei, o beneficiário da Lei do Bem poderia, sim, considerar no cálculo os valores gastos com pagamento de benefícios e vantagens aos seus empregados, desde que esses valores obedeçam aos requisitos de dedutibilidade do regulamento do imposto de renda. Portanto, entendemos que o Fisco excedeu-se ao impor a restrição sobre a remuneração indireta, e a nosso ver, o contribuinte tem bons argumentos jurídicos para sustentar a aplicação dos incentivos fiscais sobre esses valores.

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Núcleos de inovação tecnológica (NITs)

Integração é a alma do negócio

TecnoPUC conjuga pesquisa, transferência de tecnologia e empreendedorismo em um mesmo sistema para criar ambiente único.

A história do Escritório de Transferência de Tecnologia da PUC-RS não existe de forma isolada. Sua atuação está diretamente relacionada à criação do parque científico e tecnológico da instituição, o TecnoPUC, há nove anos. O parque, por sua vez, surgiu de uma estratégia anterior da universidade, que investiu em pesquisa e gerou a necessidade de aproximação com empresas e governo em busca de financiamento. Uma década depois de iniciado esse processo, a instituição volta a traçar nova estratégia, colocando o empreendedorismo como meta estruturadora de todas as ações ligadas a ensino, pesquisa e inovação.


O Portal Tecnopuc foi inaugurado em dezembro de 2010 e contribuiu para dobrar a área construída do parque, passando de 22 mil m², para 44 mil m².

Se hoje a PUC-RS é nacionalmente reconhecida por se adequar à chamada tripla hélice (empresa, governo e universidade), há quinze anos a história era bem diferente. A universidade já possuía excelência no ensino, mas havia pouca pesquisa. Lançou então o programa 1000 para 2000, pelo qual pretendia qualificar 1000 professores com mestrado e doutorado até o ano 2000. Além de um corpo docente mais forte, o resultado foi a criação da cultura de pesquisa. Para sustentar essa estrutura financeiramente, a instituição começou a buscar apoio junto a governo e empresas.
O diretor do TecnoPUC, Roberto Moschetta, conta que começaram a surgir as primeiras empresas que tinham interesse em atuar em instalações da própria universidade para estar próximas aos laboratórios, alunos e professores. Essa adaptação era feita de forma improvisada, aproveitando salas de aula, mas logo precisou ser revista. “Isso começou com a Dell e a HP, mas houve um crescimento explosivo e precisamos então criar um espaço próprio para essas empresas. Assim, nasceu o parque tecnológico. Hoje, são 65 empresas instaladas e mais de 4500 pessoas vinculadas”, diz.

Talvez ainda mais interessante que o nascimento do parque em si seja a forma como ele foi responsável por fazer a universidade se reinventar. Com uma relação muito próxima às empresas, a universidade passou a lidar tanto com a propriedade intelectual desenvolvida pela pesquisa acadêmica tradicional quanto com os projetos desenvolvidos em conjunto com as empresas do parque por programas de P,D&I. “Hoje, temos 77 patentes depositadas no Brasil, sendo 36 também no exterior. Além disso, temos copropriedade de duas patentes com a HP e outras duas com a empresa de biotecnologia 4G”, revela a coordenadora do Escritório de Transferência de Tecnologia, Elizabeth Ritter.

O investimento em pesquisa e inovação caminhou junto com a lógica empresarial, e a universidade passou a entender a importância do estímulo ao empreendedorismo. Por isso, criou a incubadora de empresas Raiar, que hoje conta com 22 incubadas. Ela se destina à comunidade acadêmica (alunos e professores) e, de acordo com seu gerente, Edemar de Paula, cumpre papel importante na disseminação da cultura empreendedora por todas as áreas de ensino. “No início, abrigávamos apenas empresas de tecnologia da informação. Aos poucos, os professores e alunos de outros setores começaram a perceber que poderiam contar com nosso apoio para formar um negócio. Atualmente, uma das áreas que se destaca, por exemplo, é a saúde”, explica.

A atuação da incubadora está se expandindo para desenvolver um trabalho conjunto com o Escritório de Transferência de Tecnologia e gerar empreendedorismo a partir da pesquisa acadêmica. “Muitas vezes, os pesquisadores desenvolvem seus projetos e criam patentes, mas param por aí. Nosso objetivo é identificar as patentes que têm potencial para se transformar em bons negócios e convidar os pesquisadores a ingressarem nessa área”, conta Edemar. A ideia é que a partir dessas tecnologias sejam criados planos de negócios que passem pelas incubadoras e cheguem ao mercado.

Moschetta acredita que a integração de todas essas instâncias, que funcionam em rede, é o fator que destaca a PUC-RS no cenário nacional. “Começamos investindo em pesquisa, buscamos as empresas e o governo para nos dar apoio e, aí, percebemos o quanto é importante permear todo o processo pelo empreendedorismo”, resume. “Estamos crescendo rapidamente para criar uma cadeia na qual é possível gerar negócios em qualquer fase de desenvolvimento”.

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Incubadoras

O fermento do bolo

Governança corporativa é diferencial para pequenas e médias empresas, que devem considerar a estratégia desde a fase de incubadoras.

David Aires Leste
Advogado
Rolim, Viotti & Leite Campos Advogados

Um dos maiores desafios enfrentados atualmente por pequenas e médias empresas (PMEs) inovadoras é a captação de recursos para investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D). Tendo em vista que a atividade de P&D requer o investimento de elevados recursos e que as PMEs, de modo geral, apresentam fluxo de caixa restrito, uma saída que vem sendo adotada por muitas empresas inovadoras é a captação de investimentos nas modalidades venture capital e private equity. Esses investimentos são capazes de impulsionar e acelerar o crescimento da empresa proporcionando a sua perenização no mercado.

De outro lado, encontram-se os investidores que costumam avaliar a presença de determinados requisitos no momento de eleger a empresa na qual irão aportar capital. De acordo com o trabalho desenvolvido em conjunto entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento da Indústria (ABDI) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) – “Introdução ao private equity e venture capital para empreendedores” –, as características mais importantes para avaliar o mérito de uma oportunidade de investimento do ponto de vista do investidor são: experiência profissional dos empreendedores; inexistência de informalidade nos negócios; bases sólidas para o cálculo do valor da empresa (nesse caso, entendam-se bases sólidas como dados – tais como participação de mercado e projeções financeiras coerentes); visão estruturada de futuro, de forma que o empreendedor possa delinear a estratégia de crescimento da empresa e antever o desenvolvimento do mercado no qual a empresa atua.

Uma ótima ferramenta para que o empreendimento alcance as características requeridas para atração de investimentos é a aplicação das práticas de governança corporativa. Elas consistem na implantação de um sistema pelo qual a empresa passa a ser dirigida, monitorada e incentivada, com a atuação conjunta dos proprietários e gestores, de um conselho de administração e órgão de controle. Com essa sistemática e aplicação dos princípios relacionados à governança corporativa, a empresa potencializa seu valor e capacidade de acesso a investimentos.

Conforme o Código de Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, os princípios que norteiam essa prática são transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

De acordo com o IBGC, a transparência consiste na disponibilização para o investidor de informações de seu interesse e não apenas aquelas que as empresas costumam manter como obrigatoriedade para atendimento ao Fisco ou outros órgãos governamentais. Nesse sentido, torna-se relevante que a empresa adote práticas contábeis alinhadas com os atuais modelos de convergência para o padrão internacional, no caso das PMEs, especificamente as previsões contidas na Resolução nº 1.255/09 do Conselho Federal de Contabilidade. Vale frisar que, por ser esse um novo conjunto de orientações contábeis, nem sempre vem sendo aplicado pelos profissionais de contabilidade.

Já a equidade é caracterizada pelo tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas, o que pode ser garantido mediante acompanhamento jurídico adequado dos atos sociais da empresa. Sendo assim, é recomendável uma forte integração de suporte jurídico durante a elaboração do contrato social da empresa, o acompanhamento das reuniões sociais e a elaboração das atas que formalizam as deliberações tomadas nesse fórum.

A prestação de contas e a responsabilidade corporativa preconizam que os responsáveis pela gestão da empresa devem prestar contas de suas atuações e assumir todas as consequências decorrentes de suas ações ou omissões. Também devem zelar pela sustentabilidade da empresa, visando à longevidade e à boa apresentação na sociedade.

Com a adoção das práticas de governança corporativa, certamente a empresa em fase inicial apresentará alto grau de profissionalismo na gestão e eliminará qualquer tipo de informalidade. Terá capacidade de demonstrar solidamente as informações para o cálculo de seu valor e contribuir para viabilizar uma visão estruturada de futuro da empresa para a definição da melhor estratégia de crescimento. Também vale ressaltar que a aplicação adequada das normas contábeis de padrão internacional tende a apoiar o dimensionamento do valor da empresa, inclusive no que toca aos seus ativos intangíveis.

Certamente, a governança corporativa é o fermento do bolo e a empresa em fase inicial que adotá-la estará realmente inovando.

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Notícias Allagi e parceiros

Notícias do Centro de Open Innovation – Brasil

Outubro

Confira a programação do Open Innovation Seminar

Em novembro, os grandes nomes da inovação aberta se reúnem para debater os principais temas da atualidade durante o Open Innovation Seminar. A programação começa no dia 24, com palestras de Anderson Rossi, da Fundação Dom Cabral, sobre práticas de inovação aberta no Brasil, e de Joakim Appelquist, da Vinnova, sobre inovação orientada por desafios. Em seguida, Yiglan Tan, da National Research Foundation (Singapura), Martin Anderson, professor da Lund University e Sabine Brunswicker, do Fraunhofer Institute apresentam cases de redes e comunidades de inovação.

O estímulo à inovação na América Latina é o tema da palestra organizada pelo Centro de Desenvolvimento OCDE, e dois painéis completam a primeira parte da programação: um sobre inovação colaborativa e outro sobre desafios nacionais e globais. Eles envolvem representantes de organizações como IPEA, ANPEI, CGEE e Anprotec. No primeiro dia do evento, também serão realizados painéis dentro dos grandes temas “Inovação em redes setoriais e cadeias produtivas”, e “Inovação global e desenvolvimento regional”. O Open Innovation Seminar também abre inscrições para cursos, que ocorrem nos dias 24 e 25. Confira:

Para a programação completa e inscrições: www.openinnovationseminar.com.br.

ABDI e Vinnova promovem laboratório de aprendizagem

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Agência Sueca de Inovação (VINNOVA) realizam, nos dias 8 e 9 de novembro, o 3º Laboratório de Aprendizagem em Inovação Brasil-Suécia, em Estocolmo (Suécia). O evento reúne representantes da indústria, governo e academia dos dois países e é composto por workshops estruturados como conversas moderadas para tratar de temas relacionados à inovação. Entre os tópicos tratados, estão: sistemas de inovação no Brasil e na Suécia; internacionalização de pequenas e médias empresas; e cooperação industrial nas áreas de energia, saúde, tecnologia da informação e comunicação e grandes eventos esportivos.

Além das discussões, está prevista uma programação social e a realização de visitas técnicas estratégicas. O objetivo do encontro é produzir recomendações sobre mecanismos de promoção da inovação para os setores público e privado, além de identificação e desenvolvimento de parcerias entre organizações brasileiras e suecas para a implantação de projetos conjuntos de tecnologia e negócios.

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Sobre este boletim

O Boletim Inovação Aberta é uma iniciativa do Centro de Open Innovation – Brasil. Nesta publicação digital bimestral, patrocinada por participantes do Centro, pessoas envolvidas com a prática da inovação aberta no país são entrevistadas com o objetivo de registrar casos, discutir conceitos e propiciar oportunidades. O boletim também oferece informações sobre os principais cursos, eventos, artigos e lançamentos relacionados à inovação aberta.

 

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