Em rede

Boletim Inovação Aberta

Boletim mensal sobre a Inovação Aberta – Publicação digital número 5 – Agosto/2011

Acompanhe as atividades do centro e relacione-se com os demais profissionais da inovação por meio da plataforma openinnovationbrasil.ning.com

 

Uma para três

Uma pergunta sobre open innovation para três personalidades do cenário brasileiro de inovação.

Qual é o modelo de negócios que seu centro de P&D e Inovação adotará no Brasil?

Pontus de Laval
Chief Technology Officer
Group Strategy - Saab

“O centro é uma arena de inovação aberta para empresas e universidades suecas e brasileiras, cujo modelo de negócios baseia-se no Lindholmen Science Park, em Gotemburgo, na Suécia. Lá, governo local, academia e indústria se reúnem para resolver os desafios sociais que podem ser resolvidos com novas tecnologias em algumas áreas temáticas. Cada área temática tem um grupo de trabalho com representantes das partes interessadas. Eles identificam os principais desafios e propõem uma agenda de pesquisa para enfrentar esses desafios. Na etapa seguinte, definem projetos colaborativos de P&D de acordo com a agenda. Os projetos normalmente são co-financiados entre as empresas participantes e agências de fomento governamentais. No Brasil, já identificamos áreas como Defesa e Segurança, Transportes e Logística e Desenvolvimento Urbano (com foco em energia e meio ambiente). Em maio, criamos a associação sem fins lucrativos CISB (Centro De Pesquisa E Inovação Sueco-Brasileiro), já temos um lugar em São Bernardo e agora estamos recrutando pessoal. Esperamos ter tudo funcionando antes do final do ano”.

 

Sergio Borger
Diretor de Estratégia e Operações do Laboratório de Pesquisas
IBM Brasil

“Podemos definir o modelo de negócios que adotamos como science as a business – ou ciência como um negócio. Isso quer dizer que a pesquisa e a inovação que fazemos são focadas no desenvolvimento de tecnologias que serão usadas em produtos e serviços, que, por sua vez, serão aplicados em projetos da IBM e de seus parceiros tecnológicos e de negócio. Dada a gama de tecnologias que a unidade de pesquisa da IBM desenvolve no mundo todo, estes projetos tendem a ser bem variados, indo desde novas tecnologias na área de chips médicos até aplicações matemáticas para a modelagem de simuladores de bacias hidrográficas”.

 

Ronald Dauscha
Diretor de Inovação e Tecnologia
Siemens no Brasil

“Nesse ambiente de negócios inovador, altamente dinâmico e criativo, só existe uma forma de desenvolver agilmente novos produtos, serviços e soluções: através da inovação aberta. Para a Siemens e já com o novo centro de P&D recentemente inaugurado, adotamos este conceito: os projetos de P&D estão sendo desenhados em conjunto com clientes, universidades e agências de fomento desde o início; desafios técnicos e conceituais são respondidos por meio de plataformas de redes sociais internas e externas. A base de conhecimento e de experiências está disponível para todos os 400 mil colaboradores através de sistemas de consulta inteligentes. Mecanismos de radar de tecnologias internas ou externas, eles permitem um rápido processo de spin-in e spin-out e, principalmente, uma série de processos motivacionais, de geração de ideias e melhorias. Essas ações geram o cenário necessário para uma cultura inovadora alinhada com os tempos de estruturas organizacionais não mais estanques e fluxos de geração de inovações nada lineares de hoje em dia. A Inovação se tornou mais compartilhada, rápida e justa: quem quiser, participa!”.

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Suíte

Acompanhando casos brasileiros de inovação aberta e a sua repercussão no mercado

Inovação à flor da pele

Uso de inovação aberta em todas as etapas do desenvolvimento de dermocosméticos da Purainova incrementa produtos e estabelece relacionamento estratégico com dermatologistas.

Em meio a gigantes do setor de cosméticos, uma startup chama atenção pela ousadia. A empresa de dermocosméticos Purainova surgiu para competir pelo mercado brasileiro com organizações como Lancôme e L’Oréal. O diretor presidente da Purainova, Joel Ponte, enxergou uma lacuna nos produtos oferecidos especificamente para brasileiras. “Há ótimas empresas estrangeiras atuando no país, mas os produtos delas são feitos por europeus para o público europeu. A nossa proposta é nos destacar como uma empresa nacional que desenvolve seus produtos especialmente para a pele da mulher brasileira”, afirma. Além disso, a Purainova investe no estudo das propriedades da água mineral brasileira e procura estabelecer preços mais competitivos.

Para alcançar esse objetivo, a empresa aposta na inovação aberta. Em uma série de encontros com dermatologistas, são feitas sondagens de demandas, bem como se propõem desafios para situações hipotéticas que podem resultar em inovação – seja na descoberta de um ativo, na definição de estratégias comerciais ou no mapeamento de necessidades do setor. O diretor de planejamento da Purainova, Marcelo Prim, cita a linha Acquasensive como ícone de sucesso da estratégia. Em um dos encontros com dermatologistas, a Purainova apresentou nove produtos já desenvolvidos e prontos para venda para que os convidados opinassem a respeito. O resultado da conversa foi bem além de melhorias pontuais. Surgiu a sugestão de criar um produto específico para procedimentos pós-cirúrgicos. “Os médicos reclamaram que, imediatamente depois de procedimentos agressivos como o peeling, era preciso combinar diversos produtos e, muitas vezes, misturar marcas para cuidar da pele naquela situação peculiar”, conta.

Foi assim que começou a ser criado um kit com três dermocosméticos que dariam conta, sozinhos, da recuperação das pacientes na primeira semana pós-operatória, quando qualquer produto que entra em contato com a pele pode gerar uma sensibilidade ainda maior. O resultado final foi o conjunto composto por um hidratante usado para acalmar a pele nos primeiros dias, um creme regenerador e um protetor solar de propriedades físicas (e não químicas, que agrediriam essa pele). Depois do processo concluído, a ideia parece simples, mas é hoje o grande sucesso da empresa e foi apresentada no Congresso Brasileiro de Dermatologia em 2010.

Prim aponta que a estratégia tem se mostrado duplamente benéfica. Não bastasse a renovação de conhecimento com a participação desses parceiros em todas as etapas de desenvolvimento dos produtos, de forma pontual e regular – a cada três meses em média –, a inovação aberta mostrou-se como importante ferramenta de relacionamento com os dermatologistas. “Os produtos da Purainova estão nas farmácias e qualquer um pode comprá-los, mas o nosso objetivo é que os consumidores cheguem a eles por meio da receita médica”, diz. “Eles são, ao mesmo tempo, o atestado de credibilidade e a forma de dar giro aos produtos da marca”.

Agora, a ideia é expandir o alcance dessa interação. A partir de setembro deste ano, a Purainova deve criar uma rede colaborativa virtual e, em vez de ter de cinco a oito médicos acompanhando seus processos, poderá contar com cerca de 50 profissionais. Nessa nova fase, as sugestões mais interessantes serão recompensadas com prêmios que visam estimular ainda mais a participação. Por ter desenvolvido um expertise em água mineral e ativos brasileiros, bem como na fabricação de produtos sem álcool ou conservantes, a Purainova também já está sendo assediada por empresas maiores para outros processos colaborativos.

Voo solo compartilhado

O que levaria um profissional que passou a vida em empresas líderes a mudar radicalmente de vida e investir em uma startup? Para Joel Ponte, diretor presidente da Purainova, é a realização de um desejo antigo. Depois de 16 anos na L’Oréal, multinacional presente em 130 países, e sete na Natura, brasileira líder em cosméticos presente em oito países, Pontes decidiu assumir o cargo de maior responsabilidade de sua vida: chefe de si mesmo.

Mesmo com toda a experiência acumulada ao longo desses anos, Ponte sentiu a dificuldade de ser empreendedor logo de saída e, para seguir firme, lançou mão de processos colaborativos também na administração do negócio. “O empreendedor trabalha sozinho no início, é uma solidão que traz insegurança. Por isso, comecei a pedir conselhos a amigos com quem havia trabalhado antes; isso enriqueceu meu trabalho e me fez sentir mais confiante”, conta. Essa rede de amigos, mais tarde, se associaria à Purainova, formando um grupo de investidores anjo. Assim, ligaram-se à empresa de forma oficial com o aporte de capital e assumindo a posição de conselheiros.

Ponte garante que vale a pena o voo solo, que rapidamente se aproxima da consolidação do negócio. A perspectiva é que a empresa pare de ser considerada uma start up até 2012. “Eu sempre tive vontade de empreender e até estudei para isso, mas optei por primeiro ganhar experiência nas grandes empresas. O tempo foi passando e, quando vi, já havia passado muito tempo. Quando terminei um projeto na Natura, já com a visão de uma brecha no mercado, resolvi que estava na hora”, conta. Para ele, a experiência como empreendedor é uma excelente maneira de aprender sobre si mesmo. “Tudo está ligado a minhas qualidades, defeitos e méritos. É um momento revelador da personalidade e do meu perfil profissional”, surpreende-se.

Marcelo Prim concorda com o chefe. Ele também trabalhou na Natura e na Embraer antes de ingressar na Purainova. Talvez por ter experiência anterior em uma start up, para ele não foi difícil a decisão de deixar o emprego em uma grande empresa para participar de umaempresa ainda em construção. Segundo Prim, na pequena empresa, é ainda maior a responsabilidade de cada colaborador, cuja participação faz diferença de forma visível. “Enquanto na grande empresa passamos muito tempo desenvolvendo o mesmo projeto e de forma concentrada em uma área, na startup tudo acontece de forma mais dinâmica. Há vários projetos acontecendo ao mesmo tempo e em alta velocidade, sendo que acabo participando do desenvolvimento como um todo”, diz.

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Fomento

 

Plano Brasil Maior

O Plano Brasil Maior foi instituído através do Decreto nº 7.540, de 3 de agosto de 2011, com o objetivo de potencializar o investimento produtivo, tecnológico, e de inovação das empresas nacionais, integrando ações governamentais de política industrial, tecnológica e de comércio exterior em combate à crise internacional, mediante desoneração fiscal, no intuito de aumentar a competitividade dos bens e serviços nacionais.

No âmbito tributário, foi publicada a Medida Provisória n° 540/2011, com destaque para os seguintes benefícios: (i) redução gradual do prazo para aproveitamento dos créditos do PIS/COFINS sobre bens de capital; (ii) redução de IPI sobre determinados bens de investimento (tratores, veículos e chassis); (iii) isenção de IRPJ para as pessoas jurídicas fabricantes de máquinas, equipamentos, instrumentos e dispositivos, baseados em tecnologia digital, que atendam seus requisitos.

Destaca-se a substituição, até 31 de dezembro de 2012, da contribuição patronal ao INSS de 20% sobre a folha de salários, pela incidência de uma alíquota sobre a receita bruta de 2,5% para empresas de TI e TIC (Lei 11.744/08, art. 14, §4°) e de 1,5% para indústrias de vestuários, calçados e móveis (para códigos específicos da TIPI).

Especificamente no que se refere à Inovação Tecnológica, o art. 13 da MP 540/2011 estendeu a possibilidade de exclusão do lucro líquido, para fins de IRPJ e CSLL, dos dispêndios com projeto de pesquisa científica, tecnológica e de inovação realizados por entidades científicas e tecnológicas privadas, sem fins lucrativos, conforme regulamento; não mais restrita apenas às ICTs públicas de que trata a Lei n° 10.973/04, art. 2, V.

Ainda na esteira do PBM, o Decreto n° 7.539/11 deixou mais claros os critérios de controle e contratação de empresa, consórcio de empresas e entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos por parte dos órgãos e entidades da administração pública, para a realização de atividades de pesquisa e desenvolvimento, que envolvam risco tecnológico, para solução de problema técnico específico ou obtenção de produto ou processo inovador, originalmente previstos pelo art. 21 do Decreto 5.563/2005 que regulamenta a Lei de Inovação.

De acordo com o novo parágrafo 1º, para aprovação do projeto, esse deverá contemplar, além das etapas de execução, a equipe de trabalho e os recursos necessários à sua realização, com observância dos objetivos a serem atingidos e dos requisitos que permitam a aplicação dos métodos e meios indispensáveis à verificação do andamento do projeto em cada etapa, bem como de outros elementos estabelecidos pelo contratante.

Nos parágrafos 4º a 6º, foi admitida a possibilidade de o projeto contratado ser descontinuado, sempre que verificadas a inviabilidade técnica ou econômica no seu desenvolvimento, comprovada mediante auditoria técnica e financeira independente; ou o desinteresse da administração. Nessas hipóteses, o pagamento ao contratado cobrirá as despesas já incorridas na efetiva execução do projeto, consoante o cronograma físico-financeiro aprovado.

O Decreto determinou ainda de forma expressa que os resultados do projeto, a respectiva documentação e os direitos de propriedade intelectual pertencerão ao contratante e a possibilidade da contratação englobar a transferência de tecnologia para viabilizar a produção e o domínio de tecnologias essenciais para o país.

Nesse contexto, foi também publicado o Decreto nº 7.544/2011, que alterou o Decreto nº 7.423/2010, que regulamenta a Lei no 8.958/1994, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio.

No caso das demais ICTs, que não se configurem como Instituições Federais de Ensino Superior - IFES, o percentual da composição dos órgãos dirigentes da fundação de apoio será definido por ato conjunto dos Ministros de Estado da Educação e da Ciência e Tecnologia e não pelo órgão deliberativo da instituição apoiada. Foi ainda inserida a possibilidade da fundação de apoio apoiar IFES e demais ICTs distintas da que está vinculada, desde que compatíveis com as finalidades da instituição a que se vincula, mediante prévia autorização do grupo de apoio técnico composto por dois representantes do Ministério da Educação e um representante do Ministério da Ciência e Tecnologia.

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Clipping

Notícias externas sobre inovação aberta
Buscapé investe em quatro startups de internet

Como contrapartida ao investimento, assumirá 30% de participação em cada negócio

São Paulo – O BuscaPé selecionou quatro startups de internet para apoiar por meio do concurso “Sua Ideia Vale 1 Milhão”. O site de comparação de preços investirá R$ 300 mil em cada uma delas.O objetivo do concurso era selecionar apenas um negócio para apoiar, mas, após avaliar mais 800 projetos, a empresa decidiu esticar o orçamento e investir em mais projetos.
As startups selecionadas foram a Urbanizo, que ajuda o internauta a calcular e comparar o preço do metro quadrado de imóveis  nas cidades; o Meu Carrinho, que mostra ao consumidor qual supermercado oferece o melhor preço para sua lista de compras; a HotMart, plataforma para operação e distribuição de conteúdo digital; e o Anuncie Lá, mercado virtual social que conecta vendedores e compradores via redes sociais. Como contrapartida ao investimento, o BuscaPé assumirá 30% de participação em cada negócio. A empresa já planeja repetir o concurso em 2012.

O próprio Buscapé nasceu como uma startup, no ano 1999. Dez anos mais tarde, os quatro fundadores venderam 91% das ações da empresa por nada menos que US$ 342 milhões ao grupo sul-africano Naspers. Como parte do acordo, o fundador Romero Rodrigues permaneceu no comando da companhia. Ao longo dos seus dez anos de vida, a empresa já adquiriu mais de dez negócios. As aquisições mais recentes foram as startups DineroMail, Navegg e SaveMe.
http://exame.abril.com.br/pme/startups/noticias/buscape-investe-em-quatro-startups-de-internet

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Artigo

Produção acadêmica em inovação aberta

Propriedade intelectual: o desafio das patentes no cenário da inovação

Régis Assao
Diretor executivo
Allagi, consultoria de negócios especializada em Gestão da Inovação

Conhecida por transformar mercados e proporcionar o progresso técnico-científico, a inovação (tecnológica) possui um papel amplamente reconhecido pela sociedade, especialmente em indústrias de alta tecnologia. A Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) é alvo de elevados investimentos e, por ser um fenômeno pouco preciso e incerto, é constantemente submetida a metodologias, processos e ferramentas a fim de aumentar a probabilidade de sucesso futuro ou diminuir riscos. Uma das ferramentas para gestão de riscos e “proteção” desses investimentos é a Gestão da Propriedade Intelectual, ou simplesmente PI.

Propriedade Intelectual (PI) de uma forma genérica são os direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial, científico, literário e artístico. Por serem direitos, é comum que boa parte das pessoas os associe como um assunto para advogados cuidarem, o que é um equívoco, pois, muito mais que um assunto jurídico, a PI é um assunto essencialmente de negócios.

Uma empresa que desenvolve e protege seus produtos ou processos por meio de patentes, na verdade, cria um ativo intelectual com potencial de se tornar uma ferramenta de ação estratégica para manter a vantagem competitiva. Se as palavras inovação e propriedade intelectual estão associadas ao desenvolvimento socioeconômico das nações, não seria incorreto pensar que fazem, hoje, parte das políticas públicas das principais economias mundiais. Que o diga o governo brasileiro, que enxerga na inovação tecnológica uma das saídas para evitar a “desindustrialização” e aumentar a competitividade internacional das empresas nacionais.

Conquistas como a estabilidade macroeconômica, as recentes Leis de Inovação e do Bem e os demais programas governamentais permitiram ao Brasil avançar 21 posições, saltando da 68ª posição para a 47ª no ranking de inovação elaborado pela Confederação da Indústria da Índia, em parceria com o instituto de administração europeu Insead e com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual. Entretanto, os resultados referentes ao número de pedidos de patentes depositados – um dos 50 indicadores avaliados – continua a desejar. O Brasil permanece responsável por apenas 0,3% dos pedidos internacionais de patente (OMPI, 2009), apesar de o português ser incluído como língua oficial de depósitos no PCT (PatentCooperationTreaty – ou Tratado de Cooperação em matéria de Patentes) e o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) ser reconhecido como autoridade Internacional de Busca e Exame de Pedidos no âmbito do PCT desde 2007.

De acordo com o índice, entre os países mais inovadores do mundo estão Suíça, Suécia, Singapura, Coréia do Sul, Finlândia, Dinamarca, Estados Unidos, Canadá, Holanda e Reino Unido. O que eles têm em comum? Pelo menos a maioria desses países possui importantes empresas no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), como Ericsson, Nokia, Research In Motion (RIM), Apple, Microsoft, Philips, Flextronics e Zetax. Curiosamente, nos EUA, o maior mercado, os principais depositantes de patentes pertencem ao setor de TIC com destaques para Samsung, IBM, Sony e Microsoft. Consequentemente, é o setor que mais sofre com processos de infração ou com acordos de licenciamento. Eis um dos males do modelo de monopólio temporário da tecnologia. Eric Maskin, Nobel de economia em 2007, que o diga.

Peguemos, por exemplo, a principal empresa case de inovação tecnológica dos últimos anos: a Apple. Responsável por uma das maiores mudanças técnicas, sociais e culturais nos países onde está presente com seus produtos, sofreu inúmeros processos de infração de patentes por parte de pequenas e grandes empresas do setor que a acusavam de incorporar soluções patenteadas em seus iPads, iPhones e iPods. As empresas Kodak, Nokia e HTC são algumas das vencedoras de processos que custaram a cabeça de seu diretor de patentes. A Nokia, por exemplo, conseguiu um acordo de licenciamento da ordem de 1 a 2% da receita do iPhone, calculada aproximadamente em US$ 43 bilhões neste ano, de acordo com uma pesquisa da Reuters. Essas ações podem levar empresas verdadeiramente inovadoras à falência de um dia para o outro.

Devido ao risco de as empresas de TIC sofrerem ações judiciais, elas frequentemente recorrem às licenças cruzadas, que nada mais são do que um acordo segundo o qual duas ou mais partes concedem uma licença à outra para a exploração do objeto reivindicado em uma ou mais patentes. Um escambo dos tempos modernos em que a patente é uma moeda de troca para a sobrevivência. Isso ocorre somente se ambas as partes possuírem ativos para trocar, pois, sem eles, não há negócio, principalmente quando quem rege esse sistema chama-se inovação.

*Artigo publicado no portal TI Inside Online, em 14 de agosto de 2011

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Núcleos de inovação tecnológica (NITs)

História de pioneirismo e liderança

Um dos primeiros NIT’s criados no Brasil, Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG é referência no registro de patentes. Desafio agora é transferência de tecnologia.

Muito antes dos Núcleos de Inovação Tecnológica possuírem uma nomenclatura comum e serem conhecidos como NIT’s, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) criou um espaço dedicado à gestão de patentes, transferência de tecnologia e fomento à inovação. Foi assim que nasceu, em 1996, a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da maior universidade mineira. O surgimento do setor coincidia com a nova legislação sobre patentes. A UFMG participava dos primeiros passos rumo à defesa da propriedade intelectual das universidades e a mediação dos processos de transferência tecnológica.

De acordo com o professor Ado Jório, coordenador do CTIT, a experiência do Brasil nessa esfera era – e ainda é – muito incipiente. “As universidades maiores, como a UFMG, puxam o processo. Porém, a maioria dos NIT’s brasileiros foi criada depois de 2005 com o incentivo da lei de inovação”, afirma. “Mesmo o trabalho na UFMG ganhou impulso notório a partir dessa data”. Isso pode ser verificado, por exemplo, na expansão de pessoal do CTIT. Até 2005, a coordenadoria contava com apenas seis colaboradores enquanto, hoje, 35 profissionais de formações diversas trabalham na área.

Jório aponta o amadurecimento do país e as políticas públicas de incentivo e financiamento como fatores decisivos na explosão relativa à inovação a que o Brasil tem assistido nos últimos anos. Para o professor, esse cenário é ideal para a UFMG, que detêm excelência intelectual em praticamente todas as áreas de conhecimento. As mais fortes são aquelas que têm, também, mais espaço no mundo todo, como engenharia, biotecnologia, química e farmácia. Juntas, representam cerca de 70% das patentes detidas pelo CTIT e, no restante do bolo, há registros que vão de política a artes.

Para Jório, a presença de um NIT forte dentro da universidade facilita o trabalho dos pesquisadores e traz benefícios tanto para a instituição quanto para o país. “A importância geral de um NIT é que ele deixa que o pesquisador foque naquilo que faz melhor: produção de conhecimento e formação de gente qualificada, sem perder tempo com questões jurídicas e negociações”, diz. “Além disso, tudo o que é produzido dentro da UFMG pertence à instituição. É função do NIT garantir que os rumos dessa produção e o valor dado às tecnologias sejam decisão da instituição. Assim, os NIT’s têm o papel de consolidar a inovação no Brasil e colocá-la como prioridade, de uma forma organizada e institucional”.

No quesito patente, a UFMG é destaque nacional. A instituição possui cerca de 380 registros de patente no INPI e mais de 100 no exterior, sendo a universidade que mais possui registros fora do Brasil e a que, no ano passado, mais depositou registros no INPI. Os números chamam atenção por si mesmo, mas Jório ressalta que essa posição é ainda mais relevante considerando o cenário nacional. “As universidades estaduais paulistas possuem um histórico anterior e mais amplo em relação às instituições federais. Por isso, esses números revelam a dimensão do crescimento da UFMG, que se tornou uma liderança”, afirma. Ele explica que a arrancada só foi possível porque a universidade definiu o estímulo à inovação como uma política institucional.

O desafio dessa política, agora, é consolidar a transferência de tecnologia. No ano passado, a UFMG realizou a transferência de sete tecnologias para o setor privado. Segundo informações do site do CTIT, em abril de 2011, esse número já havia sido superado e outras sete negociações estavam em andamento. Em um trabalho que busca a aproximação com a indústria, a universidade tenta direcionar suas pesquisas. Além de oferecer tecnologias já prontas para o setor privado, a UFMG firma convênios de pesquisa com empresas para facilitar o processo de transferência e aplicação.

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Incubadoras

Ambiente múltiplo para geração de negócios

Espaço de Desenvolvimento Empresarial do Parque Tecnológico Itaipu reúne empresas já consolidadas e start ups no fomento do desenvolvimento tecnológico da região Sul do país

Imagine uma empresa que já nasce envolvida em um espaço de incubação binacional e carregando a marca da maior usina geradora de energia do planeta. É esse o caso das 32 organizações que fazem parte do Espaço de Desenvolvimento Empresarial do Parque Tecnológico Itaipu. O espaço é composto pela pré-incubadora Fábrica de Empreendedores, a Incubadora Empresarial Santos Dumont e o Condomínio Empresarial para companhias já consolidadas.

Além dos benefícios tradicionais da experiência de incubação, o fato de fazer parte de um parque tecnológico do porte de Itaipu pesa no currículo desses empreendedores. De acordo com a assistente de Empreendedorismo e Incubação, Débora Brauhardt, a coexistência é extremamente benéfica para essas empresas, pois propicia inúmeras oportunidades de parcerias. Ela enfatiza que esse espírito colaborativo precisa ser estimulado. “No início, os incubados enxergavam um ao outro como concorrentes, mas, aos poucos, começamos a trabalhar com eles a ideia de aproveitar essa proximidade. Aliando diferentes tecnologias, as empresas ficam mais fortes e crescem mais”, explica. “Se há diversas empresas de software na mesma incubadora, por exemplo, cada uma pode entrar com especificidades distintas para desenvolver sistemas em conjunto”.

Especialmente por boa parte ser formada por start ups, torna-se estratégico complementar o negócio trabalhando em conjunto com outras empresas do parque tecnológico. De acordo com Débora, a inovação aberta é amplamente estimulada, apesar de ainda não ser uma política formal no espaço. “Temos vários exemplos de empresas que se beneficiaram dessa cooperação”, garante.

Desde 2009 no PTI, a empresa de automação NeoAutus ilustra bem essa situação. Entre vários projetos de desenvolvimento em conjunto e editais de universidades, está na fase final de desenvolvimento de um mecanismo para automação de controle de entrada e saída de condomínios em parceria com uma empresa de hardware do parque. “Também estamos trabalhando num projeto em parceria com mais quatro empresas do PTI e com uma empresa Belga para desenvolver uma solução completa para eventos e turismo sustentável que envolve tecnologia, educação ambiental e créditos de carbono”, conta.

Apesar de o Espaço de Desenvolvimento ter como foco a reunião de empresas para geração de empreendedorismo e incremento tecnológico da região, os benefícios diretos para o parque tecnológico e a usina são claros. O espaço mantido pela companhia energética engloba empresas com foco em água, energia, meio ambiente, turismo, tecnologia da informação e gestão. O grupo não informa número, mas garante, por exemplo, que a economia gerada para a usina de Itaipu por contratar serviço de empresas ligadas ao complexo em vez de fornecedores externos é expressiva. “Sabemos que há essa economia, mas a verdade é que esses números não são fáceis de medir, pois muitos dos serviços contratados nem existem fora do parque, pois tratam-se de tecnologias desenvolvidas internamente”, ressalta Débora.

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Notícias Allagi e parceiros

Notícias do Centro de Open Innovation – Brasil

Agosto
Fármacos e medicamentos

O 5º Encontro Nacional de Inovação em Fármacos e Medicamentos ocorreu entre 29 e 31 de agosto em São Paulo. Além da troca de informações entre pesquisadores, representantes de governo, profissionais da área e estudantes, o encontro foi uma oportunidade para a prospecção de novos negócios e ampliação de networking.
http://ipd-farma.org.br/ipd/5-enifarmed

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Inovação em Aracaju

A Universidade Federal de Aracaju recebeu cerca de 200 pessoas nos dias 22 e 23 de agosto para tratar de inovação.  A instituição promoveu, concomitantemente, o 2º Simpósio Internacional de Inovação Tecnológica, a 3ª Oficina de Propriedade intelectual e a 3ª Mostra de Tecnologias em Petróleo, Gás e Energia.
http://cintec-ufs.net/simtec2011/?q=node/5

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Empreendedorismo na UNESP

A universidade Estadual  Paulista recebeu, de 22 a 26 de agosto, em Jaboticabal, a 6ª Semana da Administração. O evento teve como tema “Empreendedorismo e Inovação – novas vertentes organizacionais” e contou com a participação do Open Innovation Center.
http://www.semanadaadm.com.br/

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Setembro
Participe do Open Innovation Seminar 2011

De 23 a 25 de setembro, o maior evento da América Latina dedicado a redes de inovação promove palestras, cursos e arenas de inovação no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo. Fazem parte da programação especialistas renomados do Brasil e exterior. A expectativa é de receber cerca de 1500 pessoas. Inscreva-se: www.openinnovationseminar.com.br.

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Inscrições abertas para o 4º Encontro Nacional Repict

A Rede de Propriedade intelectual e Comercialização de tecnologia promove nos dias 22 e 23 de setembro, no Rio de Janeiro, um encontro entre empreendedores, agências de fomento e pesquisadores. As Inscrições podem ser feitas pelo site: http://www2.redetec.org.br/eventos/repict2011/index.html.

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Gestão do Desenvolvimento de Produtos

Porto Alegre será palco da oitava edição do Congresso Brasileiro de Gestão do Desenvolvimento de Produtos, que será realizada de 12 a 14 de setembro. O evento é promovido pela Universidade federal do Rio Grande do Sul. Mais informações no site: http://www.ufrgs.br/cbgdp2011.

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Sobre este boletim

O Boletim Inovação Aberta é uma iniciativa do Centro de Open Innovation – Brasil. Nesta publicação digital bimestral, patrocinada por participantes do Centro, pessoas envolvidas com a prática da inovação aberta no país são entrevistadas com o objetivo de registrar casos, discutir conceitos e propiciar oportunidades. O boletim também oferece informações sobre os principais cursos, eventos, artigos e lançamentos relacionados à inovação aberta.

 

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