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Boletim Inovação Aberta

Boletim bimestral sobre a Inovação Aberta – Publicação digital número 002 – Novembro/2009

Participe da plataforma de colaboração do Centro.
www.openinnovation.wiki.br

 

Uma para três

Uma pergunta sobre open innovation para três personalidades do cenário brasileiro de inovação.

Quais são os grandes desafios da realização de projetos colaborativos de inovação?

 

    Benedito Fayan
    Diretor de Inovação e Novos Negócios
    Telefônica

“O maior desafio é a barreira cultural aos projetos colaborativos, pois a maioria das organizações tem ainda muito arraigada a aversão ao not invented here. Outro ponto importante é garantir margens de lucro saudáveis a médio prazo para todos os parceiros do projeto, pois não estamos falando de uma simples relação cliente-fornecedor e sim de uma parceria por uma vida útil do projeto, que é de anos. Como último ponto, citaria os temas de propriedade intelectual e governança sobre decisões futuras do projeto, que freqüentemente levam a longas discussões que encarecem, atrasam e muitas vezes inviabilizam ótimos projetos”.

 

    Carlos Henrique de Brito Cruz
    Diretor Científico
    Fapesp

“O maior desafio é haver bom entendimento dentro da equipe sobre os objetivos, metodologia e expectativas. Projetos de pesquisa colaborativos entre universidades e empresas avançam bem quando há pesquisadores do lado acadêmico e do lado empresarial. Quando a empresa não tem pesquisadores e apenas contrata o trabalho do pesquisador acadêmico, os resultados são bem piores. É preciso haver a interação entre o pesquisador acadêmico e o pesquisador empresarial para que a sinergia entre eles possa ser aproveitada. Também é essencial que o projeto seja estabelecido reconhecendo e respeitando a natureza das organizações envolvidas”.

 

    Luís Cláudio Sousa Costa
    Gerente de Estratégia Tecnológica
    Centro de Pesquisas da Petrobras

“A Petrobras é uma empresa que construiu sua história com base em uma forte inovação tecnológica. Temos consciência de que os nossos desafios tecnológicos só serão superados de forma eficaz com um trabalho integrado com os nossos fornecedores e com as instituições de ciência e tecnologia parceiras. Por isto, temos, entre outras iniciativas, um histórico de projetos multiclientes e em parceria com a academia brasileira. O conceito de inovação aberta nos permite a exploração de novas fronteiras, onde as grandes oportunidades são a incorporação de idéias externas à Petrobras e a possibilidade de atuar de forma mais ativa no mercado de tecnologia. Para isso, devemos ser capazes de identificar as competências de nossos parceiros e de colocar os nossos desafios de forma adequada. Um grande desafio é o de conseguir formatar parcerias entre os nossos fornecedores e a academia brasileira, de forma a acelerar o desenvolvimento tecnológico”.

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Suíte

Acompanhando casos brasileiros de inovação aberta e a sua repercussão no mercado

Omnisys: desenvolvimento de radares junto à multinacional Thales

Quando, em 2002, a então pequena empresa brasileira Omnisys decidiu enfrentar o desafio de desenvolver, do início ao fim, um radar meteorológico, o conceito de inovação aberta ainda não havia sido disseminado. Mas foi a aplicação permanente dos mesmos princípios expostos pelo professor Henry Chesbrough em seu livro Open Innovation que transformou a outrora pequena Omnisys em um centro de excelência em fornecimento de radares de controle de tráfego aéreo da líder mundial Thales.

“O caso da Omnisys é um bom exemplo de como uma pequena empresa, a partir de colaborações científicas com instituições de pesquisa e parcerias tecnológicas com outras empresas, pode criar inovações de classe mundial a ponto de despertar o interesse de multinacionais como o grupo Thales, que possui mais de 25 mil pesquisadores e engenheiros espalhados nos grandes centros econômicos do planeta”, contextualiza Bruno Rondani, gerente do Departamento de P&D da Omnisys.

Nascida em 1997, a Omnisys, durante seus primeiros anos de existência, se dedicou ao desenvolvimento e fabricação de equipamentos para aplicações aeroespaciais e navais e a prestar serviços de manutenção, instalação e treinamento.

Em 2002, a empresa decidiu empreender o desenvolvimento de um radar meteorológico, dando um passo fundamental em sua consolidação como uma fabricante de radares. Para isso, constituiu junto com a Fundação Atech uma joint-venture. Cada instituição se responsabilizou por uma parte do desenvolvimento e financiamento do projeto. Naquele momento, a Omnisys possuía cerca de trinta funcionários e um faturamento anual pouco superior ao valor necessário para investir no projeto. O grande desafio para a empresa era formar uma equipe com as competências necessárias e captar recursos para financiar a sua parte no projeto.

Bruno Rondani, que hoje lidera os setenta técnicos e engenheiros do P&D da Omnisys, era naquela época estagiário da empresa e propôs a direção que buscasse a equipe a partir de um programa de mestrado junto à Unicamp e USP e o financiamento, dentro do programa PIPE da Fapesp. A estratégia foi bem sucedida e a Omnisys conseguiu montar um time de cerca de dez engenheiros, dos quais cinco eram bolsistas de programas de mestrado na Unicamp e USP. Além disso, a empresa conseguiu aprovação de três projetos PIPE da Fapesp. Como resultado do projeto, a joint-venture produziu três radares. Um deles foi instalado em Mogi das Cruzes (SP), outro foi destinado ao aeroporto de São Luís (MA) e o terceiro radar, derivado do produto inicial, foi adquirido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da USP, para ser usado no diagnóstico de prevenção de enchentes em várias regiões do estado de São Paulo.

O impacto do projeto

Com o desenvolvimento do radar, a Omnisys ganhou visibilidade e credibilidade perante o mercado e as agências governamentais de fomento, além de capitalizar conhecimento tecnológico e experiência na gestão de projetos de inovação aberta, diz Rondani.

Depois desse primeiro caso, a Omnisys continuou desenvolvendo soluções tecnológicas na área de radares em conjunto com instituições de pesquisa e com o suporte financeiro da Fapesp e Finep por meio dos programas PIPE e Subvenção.

Em 2006, o grupo Thales comprou 51% do capital da Omnisys. A direção da empresa brasileira permaneceu com seus fundadores. Mas o grande salto ocorreu quando a Thales, que possui 25 mil pesquisadores, trezentas invenções por ano, umas 15 mil patentes e cerca de trinta convênios com universidades e instituições públicas dos países desenvolvidos, transformou a Omnisys em centro de excelência para desenvolvimento de radares do grupo. A empresa participa de projetos de inovação para produtos que são vendidos na América Latina, Ásia e Europa.

“O fato de esta história ter acontecido no Brasil deve encorajar outras pequenas empresas brasileiras a encontrarem seus lugares nas redes mundiais de inovação aberta, apoiando-se em nossas ICTs e em nossas políticas de incentivo à inovação e fazendo parcerias com grandes empresas”, conclui Rondani.

Veja a apresentação deste caso de inovação aberta feita no Open Innovation Seminar 2009: http://www.slideshare.net/Allagi/omnisys-estrategia-de-pd-aberto-omnisys-bruno-rondani-open-innovation-seminar-2009

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Notícias

Notícias do Centro de Open Innovation – Brasil
Open Innovation Seminar 2009: comentários de organizadores e participantes

O Salão das Américas do Renaissance São Paulo Hotel estava lotado nos passados 22 e 23 de outubro. Eram cerca de 350 pessoas de 156 instituições diferentes participando do Open Innovation Seminar, organizando por nosso Centro.

Entre elas, 42 % eram profissionais da indústria de segmentos variados, desde alimentos até construção civil, 21% eram da academia, 9 % de consultorias, 8% de organizações do setor financeiro e 7% de startups. Órgãos do governo, escritórios de propriedade intelectual, contadores, agências de marketing e mídia também estavam representadas. “Todos os agentes de um ecossistema de inovação”, resume Rafael Levy, anfitrião do evento.

O evento atraiu tanto companhias que já têm um histórico consolidado de iniciativas de inovação aberta, como, por exemplo, a Natura, quanto empresas que estão começando a se estruturar para fazer open innovation.

Um exemplo de empresa do segundo grupo é a Fosfertil, que iniciou em 2008 um processo para formalizar uma área de inovação. “A Fosfertil sempre trabalhou com inovação, com vários casos de sucesso, mas os processos não eram centralizados e muitas vezes tínhamos dificuldades para quantificar e qualificar as nossas ações”, relata Laryssa Miranda, que foi uma das primeiras pessoas a reservar sua vaga no evento. A Fosfertil foi uma das onze patrocinadoras do evento.

“Quando tivemos acesso ao evento de 2008 e à proposta para 2009, percebemos que era importante para a Fosfertil fazer parte dessa conferência, para buscarmos boas práticas, idéias, conhecimento, networking e, principalmente, colocar algumas pessoas-chave da empresa em contato mais profundo com o tema open innovation”, comenta Laryssa.

Gerentes, diretores e presidentes predominaram entre os participantes, mas foi também marcante a presença de equipes de mais de dez profissionais diferentes de uma mesma companhia. “A presença de times e de profissionais de diversas áreas é significativa porque a implementação da open innovation exige a aceitação de uma cultura aberta e a adequação de processos em vários setores da companhia”, diz Bruno Rondani, chairman do evento.

“Much more aware of open innovation”

O eixo da programação deste ano foi a implementação da inovação aberta em seus diversos aspectos. A soma dos pontos de vista dos 46 participantes dos painéis e sessões - representantes de empresas, academia, fundos de investimento e instituições públicas como INPI, Fapesp e Finep – ofereceu um panorama do que acontece no Brasil em termos de inovação aberta e os rumos a seguir.

Para Laryssa Miranda, o evento foi muito importante para analisar os processos da Fosfertil e gerar melhorias com as experiências vividas por outros, principalmente por empresas de outros setores que não sejam da mineração. “Para pensar fora da caixa, temos que sair dela totalmente”, diz.

“A primeira edição do evento mostrou que havia casos de sucesso de desenvolvimento com parceiros no Brasil e divulgou nacionalmente o conceito de open innovation”, afirma Rondani. “Neste ano, por meio das abordagens de propriedade intelectual, corporate venture, políticas públicas, marketing, redes sociais, perfil do profissional, métricas e outras ficou clara a amplitude e complexidade do tema”.

Ainda comparando com a primeira edição, houve mais questionamentos do público e um detalhamento maior das estratégias e processos por parte das empresas. A Petrobras, por exemplo, participante do painel “Gerenciando a open innovation: novos processos de gestão da inovação” fez um auto-diagnóstico analítico de sua implementação da inovação aberta, chegando à conclusão de que a companhia tem feito um bom trabalho de parcerias, principalmente com fornecedores e ICTs, e tem muito a fazer no uso das aquisições, venture capital, spin-offs e licenciamento de propriedade intelectual para gerar novos negócios.

“Vejo os participantes muito mais cientes da inovação aberta do que no ano passado”, disse o professor Henry Chesbrough, que participou com seus comentários dos painéis do primeiro dia, além de conversar com as empresas patrocinadoras numa sessão exclusiva e com jornalistas de editorias de inovação e administração.

Em sua palestra, exclusiva para o Open Innovation Seminar, Chesbrough ofereceu contexto teórico, casos internacionais, mostrando em detalhe como funcionam alguns modelos abertos de sucesso, e dicas de gestão da open innovation.

Um dos assuntos sobre os quais discorreu foi o da abordagem inside-out da inovação aberta, que diz respeito à conquista de novos mercados viabilizada pela abertura do modelo de negócios ,o ponto fraco levantado pela Petrobras em seu auto-diagnóstico. Normalmente, as empresas demoram mais em implementar o aspecto inside-out do que as parcerias de P&D, disse Chesbrough em entrevista. “É mais difícil, inclusive por envolver mais a participação de diversos setores, como finanças, marketing, jurídico...”, completou o professor.

O tema foi retomado por gestores de fundos de investimento no último painel do dia 22 (Venture capital, corporate venture e open innovation), que também contou com Romero Rodrigues relatando o caso do Buscapé, vendido por cerca de U$S 342 milhões menos de um mês atrás.

Precisamos da inovação aberta?

“Se nós, gestores de inovação pudéssemos viver sem a open innovation, ou seja se conseguíssemos inovar contanto apenas com nossos recursos internos, a nossa vida seria mais fácil”, brinca Bruno Rondani. “Mas, cada vez fica mais claro para nós, gestores de P&D, que a abertura do processo de inovação a alternativa mais viável para alcançar maiores níveis de competitividade”, conclui. Nosso Centro já está iniciando os preparativos para o evento de 2010, que deve superar a segunda edição.

Acompanhe os desdobramentos do Open Innovation Seminar na plataforma Ning do Centro (comunidade com mais de 200 membros com fórum, fotos, vídeos, apresentações) e insira suas sugestões para a próxima edição do evento: http://openinnovationbrasil.ning.com/

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Henry Chesbrough no advisory board da Allagi

A Allagi, empresa especializada em serviços de inovação aberta, anunciou que o professor Henry Chesbrough é chairman de seu advisory board.

“A participação do professor Chesbrough na Allagi nos dá acesso a uma rede mundial de parceiros para inovação aberta e nos coloca em contato com as melhores práticas e casos de sucesso de open innovation”, afirma Rafael Levy, sócio-diretor da Allagi. “Além de ser conselheiro em assuntos estratégicos da empresa, Chesbrough pode colaborar em projetos de consultoria que requeiram sua participação”.

O relacionamento da Allagi com Henry Chesbrough começou em 2007. “Convidamos o professor para vir ao Brasil conhecer algumas iniciativas de inovação aberta de nossa terra”, relata Levy. “Nossas conversas evoluíram para a realização de uma palestra que, finalmente, se tornou o Open Innovation Seminar”. A primeira edição do evento ocorreu em junho de 2008 e foi o ponto de partida para a criação de nosso Centro de Open Innovation – Brasil. Nessa primeira visita ao Brasil, a Allagi fez um acordo com Chesbrough para sua participação no advisory board da empresa. Na segunda edição do seminário, ocorrida em outubro deste ano, o professor teve oportunidade de interagir mais com as empresas brasileiras.

Fundador e diretor do Center for Open Innovation da Universidade da California - Berkeley e chairman do Open Innovation Center – Brasil, Chesbrough tem ampla experiência em assessorar empresas líderes, tais como IBM, P&G, 3M, Genentech, General Mills, Kimberly Clark, Intel, HP, EMC, Dell, Microsoft, SAP e Xerox.

Cunhou o conceito de open innovation em 2003, em seu sucesso de vendas Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology. Sua publicação Open Business Models: How to Thrive in the New Innovation Landscape, de 2006, foi classificada pela BusinessWeek como um dos dez melhores livros de inovação do ano.

Palavras do professor Chesbrough

Sobre a sua participação no advisory board da Allagi, Chesbrough diz:
“É para mim um grande prazer conduzir o advisory board para inovação aberta aqui no Brasil. Com a recente extraordinária escalada da economia brasileira indo além de sua herança de recursos naturais para a futura economia do conhecimento, nunca houve mais urgência de se pensar a inovação de uma nova maneira. Estamos criando uma rede de pesquisadores, executivos e formuladores de políticas públicas para traçar o percurso da open innovation no Brasil.

Meus amigos e colegas na Allagi foram precursores em perceber o potencial da inovação aberta no Brasil. Rapidamente dominaram os elementos essenciais desta nova abordagem e, também rapidamente, acumularam expertise em como melhor aplicar este conhecimento dentro do Brasil. E perceberam que “não todas as pessoas inteligentes trabalham na Allagi” (parafraseando Bill Joy, que citei no livro Open Innovation). Assim, eles deram passos-chave para ativar a rede de pessoas que estão entusiasmadas com a inovação aberta no Brasil.

Vou supervisionar pessoalmente estes desenvolvimentos promissores e aprender mais sobre a economia brasileira. Já pude vivenciar a cordialidade e alegria da cultura brasileira e espero mais encontros. No processo, vou aprender mais sobre como utilizar melhor a inovação aberta em novos ambientes. Isto promete ser uma missão sumamente agradável e satisfatória para mim”.

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Portal de open innovation da Agência USP de Inovação

Cerca de um mês depois de seu lançamento, o Portal i3 Open Innovation começa a gerar resultados. “Já promovemos vários encontros presenciais entre representantes das empresas proponentes e nossos pesquisadores, e os projetos já se encontram em fase de desenvolvimento”, afirma Oswaldo Massambani, coordenador do NIT (núcleo de inovação tecnológica) da USP, que foi criado em 2005.

O portal, desenvolvido em parceria com a Fiesp e o Ciesp, é uma ferramenta para intermediar o processo de interação entre empresas e universidades na solução de problemas tecnológicos da indústria. A ferramenta tem semelhanças com um portal de seekers (as empresas que têm demandas tecnológicas) e solvers (os especialistas que oferecem a solução), mas mantém as informações em sigilo. A análise do projeto, a busca do parceiro tecnológico e a gestão da parceria ficam sob controle da equipe do NIT, que conta com 26 profissionais nas áreas de empreendedorismo, inovação, propriedade intelectual, transferência de tecnologia, jurídica, projetos especiais e apoio, distribuídos nos quatro pólos da agência.

A iniciativa de inovação aberta ligada ao Portal i3 funciona da seguinte maneira. A empresa seeker acessa o portal e posta um projeto, geralmente, de co-desenvolvimento de um produto, processo ou serviço. A equipe da Agência USP de Inovação, usando seu sistema de informações institucionais e sua rede de relacionamentos, identifica as competências mais apropriadas para a parceria e agenda reuniões presenciais entre os parceiros potenciais. A participação no portal é restrita a empresas associadas a alguma das entidades participantes: ABINEE, ABIMAQ, ABIHPEC e ABIT.

“Nosso Portal i3 é uma concreta demonstração da ação pró-ativa da Agência USP de Inovação em prol da promoção da Inovação Aberta no Brasil”, diz o coordenador do NIT, que é professor titular do IAG/USP.

Outras iniciativas

A articulação de competências para aumentar a competitividade empresarial é, de acordo com Massambani, uma importante função da agência, que ele define como university/industry liaison and technology transfer office. “ Nossos objetivos consistem em identificar, apoiar, promover, estimular e implementar parcerias com o setor empresarial, governamental e não governamental na busca de resultados para a sociedade”, declara.

O professor divide a atuação da agência em duas grandes linhas: promoção da inovação guiada pela ciência e promoção da inovação guiada pelo mercado. No primeiro grupo, o NIT identifica, registra e oferece as tecnologias geradas pelos pesquisadores da USP por meio de seu portifólio de patentes e de road-shows tecnológicos setoriais, resultando em licenciamentos para empresas brasileiras e globais.

Também na linha da inovação guiada pela ciência, Massambani cita ações como as Maratonas de Empreendedorismo, a Olimpíada USP de Inovações (que, em sua primeira edição de 2008 contou com mais de 400 idéias de produtos apresentadas pela comunidade da USP) e a Rede USP de Incubadoras associadas, onde empresas nascidas de inovação guiada pela ciência encontram condições apropriadas para o desenvolvimento de seus planos de negócio e suporte para seu processo de maturação e inserção no mercado.

Na linha de inovações guiadas pelo mercado, a agência da USP trabalha nas parcerias com empresas que querem desenvolver projetos com a universidade. “Temos uma plêiade de exemplos com a Petrobras, Embraer, Embrapa e com muitas empresas oriundas de todos os setores da economia”, diz Massambani. O coordenador do NIT cita como fontes de financiamento desses projetos as próprias empresas e recursos públicos locais, estaduais, federais e internacionais.

No contexto das parcerias com empresas, o professor Massambani destaca que a USP autoriza seus pesquisadores a dedicarem tempo a consultorias técnicas para atender demandas de conhecimento das empresas.

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Financiamento

Notícias de financiamento de projetos de inovação aberta
Edital Oseo - Finep

Está aberta a chamada Oseo/Finep para financiamento de projetos de inovação tecnológica a ser realizados em parceria entre empresas francesas e brasileiras.

Mais precisamente, a chamada visa apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em qualquer área do conhecimento, desenvolvidos sob a coordenação de pequenas e médias empresas do Brasil e da França (no mínimo, uma de cada país), com o objetivo de gerar novos produtos que atendam necessidades explícitas do mercado. O projeto poderá envolver também outras instituições, como universidades e centros de pesquisa, e outras empresas, inclusive de outros países.

A inscrição para participar da seleção (primeira fase do processo) encerra-se em 15 de janeiro de 2010.

A chamada é baseada num acordo de cooperação assinado em maio deste ano entre a Finep e a Oseo (agência pública de suporte à inovação e ao crescimento de pequenas e médias empresas).
“No mundo acadêmico, não são raros os editais que promovem a colaboração científica entre pesquisadores de diversos países”, diz Rafael Levy, sócio-diretor da Allagi. “Já no que se refere à inovação, a chamada Oseo-Finep é uma das poucas no Brasil voltada à cooperação internacional entre empresas. Este tipo de edital, que visa a formação de redes globais de inovação, deve se tornar cada vez mais freqüente”, completa.

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Artigos

Produção acadêmica em inovação aberta
Edição especial do periódico R&D Management: Open R&D and Open Innovation.

Estudiosos e praticantes da inovação aberta podem encontrar nesta edição especial do R&D Management ,de setembro deste ano, diversas abordagens metodológicas e temáticas da open innovation que podem auxiliá-los na compreensão de onde e quando aplicar modelos abertos para agregar valor aos processos de P,D&I e de como extrair o maior proveito deles.

Os editores convidados (Ellen Enkel, Oliver Gassmann e Henry Chesbrough) abrem a edição com um artigo que comenta a importância de as empresas terem uma abordagem equilibrada da inovação aberta e fechada. O artigo traz resultados de um estudo realizado em 2008 junto a 107 empresas da Europa sobre os riscos e dificuldades da inovação aberta.

Além disso, Ellen, Gassmann e Chesbrough fazem uma pequena revisão bibliográfica dos tipos de processos que podem ser identificados na inovação aberta: processos outside-in (integração de fornecedores, clientes, instituições de pesquisa, competidores etc. para enriquecer a base de conhecimento da empresa), processos inside-out (externalização de conhecimento da empresa via licenciamentos, joint ventures, spin-offs etc. para diminuir o time-to-market) e processos coupled (alianças, cooperação e joint ventures para co-desenvolvimento e comercialização da inovação). Os autores comentam que, na literatura, os processos coupled são os mais estudados e os inside-out, os menos pesquisados.

Nove artigos sobre inovação aberta

De acordo com os editores, os autores dos artigos estão entre os mais ativos estudiosos nesse campo. Chama a atenção sua filiação geográfica: treze autores de instituições da Alemanha, um da Suíça, um do Reino e o próprio Chesbrough dos Estados Unidos.

O primeiro artigo (Outbound open innovation and its effect on firm performance: examining environmental influences) traz contribuições ao pouco tratado tema dos processos inside-out e sua relação com o desempenho da empresa, baseadas num estudo com 136 empresas industriais.

A amplitude e profundidade das atividades de inovação aberta é o tema de Determinants and archetype users of open innovation, que propõe uma tipologia de classificação de empresas.

A questão das comunidades é abordada diretamente em dois artigos. Community engineering for innovations: the ideas competition as a method to nurture a virtual community for innovations propõe um framework para superar o desafio de extrair valor de ações de crowdsourcing usando competições em uma comunidade virtual real de 60.000 pessoas. Já em Innovation communities: the role of networks of promotors in Open Innovation, o autor explora o papel do promoter em comunidades de inovação, por meio de três estudos de caso.

A integração dos agentes internos e os externos é o foco de Integrating inside and outside innovators: a sociotechnical systems perspective. As autoras analisam em 15 médias empresas os tipos de agentes inovadores e as práticas usadas na integração.

Em Opening up for competitive advantage – How Deutsche Telekom creates an open innovation ecosystem, os autores estudam o caso da Deutsche Telekom, identificando 11 iniciativas de inovação aberta e detalhando sua contribuição.

Outros assuntos abordados nesta edição: a comparação de dois projetos não comerciais, a Wikipedia e o desenvolvimento do carro Oscar, com os princípios do open source software (Is open source software living up to its promises? Insights for open innovation management from two open source software-inspired projects), as parcerias entre corporações e organizações sem fins comerciais (Exploring open innovation practice in firm-nonprofit engagements: a corporate social responsibility perspective) e a análise da implementação do chamado open design (On the open design of tangible goods).

Open innovation como tema de pesquisa

Não parece exagerado afirmar que a inovação aberta está estabelecida como tema de pesquisa. Nesse sentido parece raciocinar o professor Joel West (co-editor do livro Open Innovation: Researching a New Paradigm junto a Henry Chesbrough e Wim Vanhaverbeke) ao destacar em seu blog que já há uma quantidade de pesquisadores produzindo pesquisa em inovação aberta com uma qualidade boa o suficiente para um periódico bom como o R&D Management.

Além dos 10 artigos (incluindo o editorial) de setembro de 2009, a chamada da R&D Management renderá uma segunda parte da edição especial. Com mais artigos, estará disponível online a partir de dezembro deste ano, anunciam seus editores, que também declaram que a seleção foi rigorosa e que o volume de submissões foi grande.

Este ano de 2009, aliás, foi próspero em chamadas de artigos para edições especiais sobre open innovation, como por exemplo:

International Journal of Innovation Management (IJIM).
Special Issue on Open Innovation and the Integration of Suppliers. http://www.worldscinet.com/ijim/mkt/callforpapers_details.shtml#Integration

International Journal of Innovation and Sustainable Development (IJISD).
Special Issue on Open Innovation, Closed Societies. http://www.inderscience.com/browse/callpaper.php?callID=1227

Technology Analysis and Strategic Management (TASM). Special Issue on Managing open innovation in current and emerging intermediaries in the technology transfer process.
http://www.tandf.co.uk/journals/cfp/ctascfp.pdf

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Clipping

Notícias externas sobre inovação aberta
Entrevistas: Luiz Mello, diretor do Instituto Tecnológico Vale.

Entrevista sobre a estrutura da P&D da empresa, sua relação com instituições de pesquisa, suas patentes e a extensão de suas atividades de inovação. (Inovação Unicamp, 12 de outubro de 2009)
http://www.inovacao.unicamp.br/report/entrevistas/index.php?cod=620

Impulso para a inovação.

Na matéria sobre a Sessão Especial sobre Políticas Públicas do Open Innovation Seminar 2009, o jornalista recupera as falas de Carlos Henrique de Brito Cruz (Fapesp) e Eduardo Moreira da Costa (Finep) sobre programas de apoio à inovação. (Agência Fapesp, 27 de outubro de 2009)
http://www.agencia.fapesp.br/materia/11267/especiais/impulso-para-a-inovacao.htm

Champions e processos para vencer os desafios do modelo marketplace.

O post aborda a questão dos portais de inovação aberta tipo marketplace, em especial o da General Mills, lançado em novembro, e as limitações deste modelo segundo o professor Henry Chesbrough. (Blog Allagi-Open Innovation, 5 de novembro de 2009)
http://blog.allagi.com.br/2009/11/05/champions-e-processos-para-vencer-os-desafios-do-modelo-marketplace/

Equipe da UFRJ ganha primeira edição brasileira do Innovation Challenge.

Notícia sobre os resultados da competição para alunos de MBA, organizada pela primeira vez no Brasil pelo Insper. (Época Negócios, 23 de novembro de 2009)
http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI105271-16364,00-EQUIPE%20DA%20UFRJ%20GANHA%20PRIMEIRA%20EDICAO%20BRASILEIRA%20DO%20INNOVATION%20CHALLENGE.htm

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Sobre este boletim

O Boletim Inovação Aberta é uma iniciativa do Centro de Open Innovation – Brasil. Nesta publicação digital bimestral, patrocinada por participantes do Centro, pessoas envolvidas com a prática da inovação aberta no país são entrevistadas com o objetivo de registrar casos, discutir conceitos e propiciar oportunidades. O boletim também oferece informações sobre os principais cursos, eventos, artigos e lançamentos relacionados à inovação aberta.

 

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